Hikari - Parque do Terror
Minha primeira fic do Hikari xD é de terror, e a sinopse é a seguinte (A propósito, eu não sei fazer sinopse):
Quote
Em uma realidade alternativa, a Hirari Animes é um parque de diversões e muito dos membros daqui trabalham lá. Porém, fatos estranhos começam a acontecer no parque, como assassinatos, quedas de luz, etc... E os funcionários acabam ficando presos junto com um Serial Killer... Bem, só isso mesmo '-'
É de terror viu, minha gente? Quem tiver estomago fraco, ou muito medo, melhor não ler. Classificação 16+.
~ Capítulos ~
Especial - Capitulo 1 e 2
Spoiler
Os dois amantes sentaram-se ansiosamente no carrinho enferrujado. O sol poente estava escondido atrás da grande construção, o que fazia da sua fachada um vulto escuro e solene. Clack! As travas de segurança foram firmadas num baque surdo. Pareciam garras sedentas, as travas, que abraçavam e seguravam os montes de carne que se punham em sua frente. Um sino soou. O timbre era impiedoso, agudo e seco. O carrinho, em um estalão da ferrugem da roda, quebrou a inércia e postou-se a andar.
Os amantes agarraram-se as mãos em um gesto instintivo de medo e amor. O carrinho era lento e fazia muito barulho ao andar - um barulho intenso da ferrugem da roda lambendo a ferrugem dos trilhos. Um barulho ensurdecedor, mortal, como o de duas facas se beijando. O carrinho adentrou, finalmente, a boca daquela construção maldita. A Casa do Medo: seu nome tudo já dizia. Porém, não dizia o quão escuro era dentro daqueles túneis claustrofóbicos. Não, uma mão era pouco demais para curar o medo. A garota se jogou contra o busto do rapaz, entrelaçando-o com seus braços finos, no mesmo momento em que, de súbito, um grito ecoou pelos corredores. Um grave Neon verde iluminou todo silêncio negro. Uma figura asquerosa, agourenta, apareceu numa das paredes. Uma múmia imensa, verde e solene, que logo foi deixada para trás pelo barulho constante e adstringente do carrinho.
Os belíssimos braços da jovem garota afrouxaram o peito do rapaz. Ele podia sentir o coração dela batendo como tambores do inferno, e seus olhos marejando como a bruma que surge nas colinas logo de manhã. Ele beijou-lhe a testa e falou, como muito carinho e tranqüilidade.
-Que besteira, Morzinho. É só um brinquedo! – Ele disse - E bem mal feito, pelo visto. Você viu a cara daquela múmia? Parecia de tinta guache!
A moça riu um riso metálico, mas o medo estava entranhado no seu corpo, em seu espírito. A face da múmia, carcomida por nauseantes larvas, estava agora gravada para sempre em sua mente, gigante, gritante, débil. E o riso, o que era o riso? Algo para tentar acalmar-se? Não. Era pura e simplesmente a outra face do mais medonho grito. A moça enrolou-se nos braços de seu amor e continuou, como um filhote amedrontado, a espreitar o terror e a escuridão daqueles túneis, sob a medonha trilha sonora da ferrugem das rodas.
O carrinho subiu um andar da construção. A escuridão pareceu adensar-se, e uma espécie de fumaça cobriu o chão dos corredores enegrecidos. – Gelo seco. – Afirmou o rapaz em tom de superioridade. A moça apertou-se ainda mais contra seu braço. E assim o carrinho continuou por alguns metros. Mas tanto tempo, e foram-se só alguns metros? Não. Para a moça, foram quilômetros. Horas em uma estrada reta, escura, nauseante, sob o som enlouquecedor de ferrugem beijando ferrugem, metros, quilômetros de puro terror. E por fim, em uma curva fechada...
O corredor foi inundado por uma luz de neon vermelha e intensa. Parecia eterna, aquela luz, encravada nas paredes negras... E uma figura, um vulto, pulou para cima do carrinho. A garota gritou. Ah luz vermelha! Luz nauseante, tão tonta, tão tonta... Como se dançasse por três eternidades! E um vermelho mais intenso, mais brilhante, mais lindo, melando a roupa do rapaz e o vestido pálido da moça que gritava tão escandalosamente! O vulto puxou os dois amantes do carrinho, quebrando as travas de segurança que tanto jurara protegê-los. Um brilho pálido agora, alto, forte, agudo e afiado... O vulto rasgou o ventre do rapaz em uma enxurrada de sangue. “Está tudo bem, está tudo bem...” a garota escutava-o dizer em uma voz deformada. E logo o vulto negro, quase uma fumaça, quase um espectro, se virou para ela e pintou, manchou, rasgou todo o vestido novo da garota em um vermelho tão vivo, tão vivo! E o vestido, que fora tão caro e tão bem escolhido, de linho fino e cheio de babados na saia, agora cheio de mácula, medo, vermelho, tão escarlate! Um batuque eterno nos corredores do terror. Um batuque eterno, cheio de grito e de medo, de sangue e de um brilho branco de sorrisos e facas. Facas! E olhares vazios, mortos, que encaravam o teto escuro, tão vermelho, tão sangrento!
...E o carrinho, surdo, continuou a percorrer aqueles corredores banais com seu canto de ferrugem, devagar, devagar, devagar...
-Minha nossa, que merda é essa? – Ed gritou ao virar uma curva. – Esses brinquedos estão cada vez mais reais, não é Ruukasu?
Ninguém respondeu. Ed se aproximou dos dois corpos caídos e banhados de sangue que ocupavam o caminho. Eles fitavam o teto com expressões aterrorizadas, e eram tão reais! O faxineiro se abaixou para tocar-lhes os rostos quando, de repente, as luzes se apagaram em um barulho grave.
-Ruukasu, seu maldito, deixe de trollagem! – Ed gritou, irritado.
-Ero Edu?
Ruukasu, também vestido de faxineiro, virou a curva e tocou o colega. Estava tudo escuro, e os dois não podiam enxergar nem um palmo além de seus rostos.
-Ah, você estava aí. Deve ter sido o maldito do Night que apagou a luz... – Ed supôs.
-Night ta limpando a casa de espelhos.
-Então foi o BK.
-Ta de folga hoje.
-O Marulon.
-Também de folga.
-Heeiro.
-Limpando a montanha russa.
-A Nessa, então!
-A Nessa nem trabalha aqui, idiota!
-Idiota é você, seu...
Foi então que, de repente, uma luz de neon vermelha foi lançada contra as paredes negras. Os dois faxineiros se encolheram contra a parede e encostaram um no outro. Ruukasu engoliu seco, Ed piscou repetidamente.
-E-Eu mato a N-Nessa – Gaguejou Ed.
-J-Já disse que a N-Nessa não trabalha a-aqui idi... Idi... Idi...
Calaram-se de repente. Um vulto foi visto a distância, se aproximando devagar, em passos lentos. Uma fumaça escarlate começou a subir do chão sem explicação alguma, e o vulto que se confundia com a fumaça se aproximava cada vez mais. Os dois funcionários começaram, então, a correr. E o vulto, quase flutuando pelos trilhos, correu atrás deles. Logo o brilho vermelho foi deixado para trás e os corredores voltaram a ficar escuros como breu. Os dois pararam, ofegantes, exaustos. A adrenalina corria solta em suas veias.
-Que merda é essa? – Perguntou Ed.
-Não faço idéia... – Respondeu Ruukasu. – Como vamos sair daqui?
-Não sei!
Quando Ed viu, já era tarde demais. Ele enxergou o vulto atrás de seu companheiro, alto e sublime, e no instante em que enchia desesperadamente o peito para gritar, Ruukasu já ia ao chão. Ed empunhou a vassoura que pendia em sua mão e estocou o peito do inimigo, logo a seguir pulando em cima de seu corpo e travando uma batalha cega, confusa e selvagem. Ed já não pensava mais e tentava, em fúria, acertar socos e pontapés no vulto enfumaçado. Nada parecia acertá-lo, e nada era visto, apenas preto, preto, uma escuridão mortal. Num impulso repentino Ed foi ao chão. Um peso incalculável sentou-se sobre se corpo, e ele pode ouvir, ainda, o som de uma respiração vigorosa, preparando-se para o golpe final.
Foi um leviano instante, Muito insignificante e muito curto. A lua saiu de trás de uma grande nuvem negra e adentrou outra. Porém, entre a sua saída e sua entrada, um raio escapou das garras eternas do céu e penetrou por um pequeno buraco no telhado da casa do terror, iluminando assim, num brilho azulado e pálido, o metal despido, brilhante e seco da faca do vulto, estendida ao alto, pronta para abater sua vítima. Ed relaxou os músculos. Ele lutara, e o resultado era evidente. Fechou os olhos que pouco podiam ver e esperou que o brilho vermelho viesse iluminar seu corpo.
Porém, foi a vez do vulto ir ao chão. Ruukasu se jogou com força sobre o agressor e liberou Ed daquele peso insuportável. Um, dois, três... Três pauladas com o cabo de sua vassoura e o vulto afrouxou as mãos que seguravam o uniforme de Ruukasu. Ele se levantou e correu, Ed seguindo-o por trás. Correu como se sua vida dependesse daquilo, e realmente dependia. Correu todo o corredor, desceu a ladeira, atravessou toda a casa sem pestanejar, sem desacelerar nem por um momento, expirando medo e terror, até sair da casa e se deparar com aquele cenário.
O parque estava inteiramente iluminado de vermelho. A barraca de comida, a montanha russa, a casa do espelho, tudo, tudo iluminado com um neon vermelho e cruel. Os portões estavam fechados, e em cada pedaço de grade jazia uma estátua de gárgula que fitava os que tentavam fugir do parque com desdém e ódio. Um ódio mortal, profundo e infeliz. E Ruukasu tombou no chão, as mãos meladas do sangue que lhe escorria do ferimento causado pelo vulto. Ed ajudou-o a se levantar.
-Você ta bem? – Perguntou Ed.
-To ótimo, levei uma facada, mas to sussa. – Ruukasu disse, irônico. – Bem, da pra sobreviver até a gente sair daqui.
Eles suspiraram três vezes e começaram a andar...
Capitulo Um
Os dois amantes sentaram-se ansiosamente no carrinho enferrujado. O sol poente estava escondido atrás da grande construção, o que fazia da sua fachada um vulto escuro e solene. Clack! As travas de segurança foram firmadas num baque surdo. Pareciam garras sedentas, as travas, que abraçavam e seguravam os montes de carne que se punham em sua frente. Um sino soou. O timbre era impiedoso, agudo e seco. O carrinho, em um estalão da ferrugem da roda, quebrou a inércia e postou-se a andar.
Os amantes agarraram-se as mãos em um gesto instintivo de medo e amor. O carrinho era lento e fazia muito barulho ao andar - um barulho intenso da ferrugem da roda lambendo a ferrugem dos trilhos. Um barulho ensurdecedor, mortal, como o de duas facas se beijando. O carrinho adentrou, finalmente, a boca daquela construção maldita. A Casa do Medo: seu nome tudo já dizia. Porém, não dizia o quão escuro era dentro daqueles túneis claustrofóbicos. Não, uma mão era pouco demais para curar o medo. A garota se jogou contra o busto do rapaz, entrelaçando-o com seus braços finos, no mesmo momento em que, de súbito, um grito ecoou pelos corredores. Um grave Neon verde iluminou todo silêncio negro. Uma figura asquerosa, agourenta, apareceu numa das paredes. Uma múmia imensa, verde e solene, que logo foi deixada para trás pelo barulho constante e adstringente do carrinho.
Os belíssimos braços da jovem garota afrouxaram o peito do rapaz. Ele podia sentir o coração dela batendo como tambores do inferno, e seus olhos marejando como a bruma que surge nas colinas logo de manhã. Ele beijou-lhe a testa e falou, como muito carinho e tranqüilidade.
-Que besteira, Morzinho. É só um brinquedo! – Ele disse - E bem mal feito, pelo visto. Você viu a cara daquela múmia? Parecia de tinta guache!
A moça riu um riso metálico, mas o medo estava entranhado no seu corpo, em seu espírito. A face da múmia, carcomida por nauseantes larvas, estava agora gravada para sempre em sua mente, gigante, gritante, débil. E o riso, o que era o riso? Algo para tentar acalmar-se? Não. Era pura e simplesmente a outra face do mais medonho grito. A moça enrolou-se nos braços de seu amor e continuou, como um filhote amedrontado, a espreitar o terror e a escuridão daqueles túneis, sob a medonha trilha sonora da ferrugem das rodas.
O carrinho subiu um andar da construção. A escuridão pareceu adensar-se, e uma espécie de fumaça cobriu o chão dos corredores enegrecidos. – Gelo seco. – Afirmou o rapaz em tom de superioridade. A moça apertou-se ainda mais contra seu braço. E assim o carrinho continuou por alguns metros. Mas tanto tempo, e foram-se só alguns metros? Não. Para a moça, foram quilômetros. Horas em uma estrada reta, escura, nauseante, sob o som enlouquecedor de ferrugem beijando ferrugem, metros, quilômetros de puro terror. E por fim, em uma curva fechada...
O corredor foi inundado por uma luz de neon vermelha e intensa. Parecia eterna, aquela luz, encravada nas paredes negras... E uma figura, um vulto, pulou para cima do carrinho. A garota gritou. Ah luz vermelha! Luz nauseante, tão tonta, tão tonta... Como se dançasse por três eternidades! E um vermelho mais intenso, mais brilhante, mais lindo, melando a roupa do rapaz e o vestido pálido da moça que gritava tão escandalosamente! O vulto puxou os dois amantes do carrinho, quebrando as travas de segurança que tanto jurara protegê-los. Um brilho pálido agora, alto, forte, agudo e afiado... O vulto rasgou o ventre do rapaz em uma enxurrada de sangue. “Está tudo bem, está tudo bem...” a garota escutava-o dizer em uma voz deformada. E logo o vulto negro, quase uma fumaça, quase um espectro, se virou para ela e pintou, manchou, rasgou todo o vestido novo da garota em um vermelho tão vivo, tão vivo! E o vestido, que fora tão caro e tão bem escolhido, de linho fino e cheio de babados na saia, agora cheio de mácula, medo, vermelho, tão escarlate! Um batuque eterno nos corredores do terror. Um batuque eterno, cheio de grito e de medo, de sangue e de um brilho branco de sorrisos e facas. Facas! E olhares vazios, mortos, que encaravam o teto escuro, tão vermelho, tão sangrento!
...E o carrinho, surdo, continuou a percorrer aqueles corredores banais com seu canto de ferrugem, devagar, devagar, devagar...
Capitulo Dois
Eduardo Katsuya estava limpando a Casa do Terror do parque de diversões da Hikari. A vassoura ia e vinha, ia e vinha, enquanto toda a poeira e o suor dos visitantes eram varridos do caminho dos trilhos. Ele estava num corredor longo, agora iluminado, e eram 23:30 da noite de uma sexta-feira. A vassoura ia e vinha, ia e vinha...-Minha nossa, que merda é essa? – Ed gritou ao virar uma curva. – Esses brinquedos estão cada vez mais reais, não é Ruukasu?
Ninguém respondeu. Ed se aproximou dos dois corpos caídos e banhados de sangue que ocupavam o caminho. Eles fitavam o teto com expressões aterrorizadas, e eram tão reais! O faxineiro se abaixou para tocar-lhes os rostos quando, de repente, as luzes se apagaram em um barulho grave.
-Ruukasu, seu maldito, deixe de trollagem! – Ed gritou, irritado.
-Ero Edu?
Ruukasu, também vestido de faxineiro, virou a curva e tocou o colega. Estava tudo escuro, e os dois não podiam enxergar nem um palmo além de seus rostos.
-Ah, você estava aí. Deve ter sido o maldito do Night que apagou a luz... – Ed supôs.
-Night ta limpando a casa de espelhos.
-Então foi o BK.
-Ta de folga hoje.
-O Marulon.
-Também de folga.
-Heeiro.
-Limpando a montanha russa.
-A Nessa, então!
-A Nessa nem trabalha aqui, idiota!
-Idiota é você, seu...
Foi então que, de repente, uma luz de neon vermelha foi lançada contra as paredes negras. Os dois faxineiros se encolheram contra a parede e encostaram um no outro. Ruukasu engoliu seco, Ed piscou repetidamente.
-E-Eu mato a N-Nessa – Gaguejou Ed.
-J-Já disse que a N-Nessa não trabalha a-aqui idi... Idi... Idi...
Calaram-se de repente. Um vulto foi visto a distância, se aproximando devagar, em passos lentos. Uma fumaça escarlate começou a subir do chão sem explicação alguma, e o vulto que se confundia com a fumaça se aproximava cada vez mais. Os dois funcionários começaram, então, a correr. E o vulto, quase flutuando pelos trilhos, correu atrás deles. Logo o brilho vermelho foi deixado para trás e os corredores voltaram a ficar escuros como breu. Os dois pararam, ofegantes, exaustos. A adrenalina corria solta em suas veias.
-Que merda é essa? – Perguntou Ed.
-Não faço idéia... – Respondeu Ruukasu. – Como vamos sair daqui?
-Não sei!
Quando Ed viu, já era tarde demais. Ele enxergou o vulto atrás de seu companheiro, alto e sublime, e no instante em que enchia desesperadamente o peito para gritar, Ruukasu já ia ao chão. Ed empunhou a vassoura que pendia em sua mão e estocou o peito do inimigo, logo a seguir pulando em cima de seu corpo e travando uma batalha cega, confusa e selvagem. Ed já não pensava mais e tentava, em fúria, acertar socos e pontapés no vulto enfumaçado. Nada parecia acertá-lo, e nada era visto, apenas preto, preto, uma escuridão mortal. Num impulso repentino Ed foi ao chão. Um peso incalculável sentou-se sobre se corpo, e ele pode ouvir, ainda, o som de uma respiração vigorosa, preparando-se para o golpe final.
Foi um leviano instante, Muito insignificante e muito curto. A lua saiu de trás de uma grande nuvem negra e adentrou outra. Porém, entre a sua saída e sua entrada, um raio escapou das garras eternas do céu e penetrou por um pequeno buraco no telhado da casa do terror, iluminando assim, num brilho azulado e pálido, o metal despido, brilhante e seco da faca do vulto, estendida ao alto, pronta para abater sua vítima. Ed relaxou os músculos. Ele lutara, e o resultado era evidente. Fechou os olhos que pouco podiam ver e esperou que o brilho vermelho viesse iluminar seu corpo.
Porém, foi a vez do vulto ir ao chão. Ruukasu se jogou com força sobre o agressor e liberou Ed daquele peso insuportável. Um, dois, três... Três pauladas com o cabo de sua vassoura e o vulto afrouxou as mãos que seguravam o uniforme de Ruukasu. Ele se levantou e correu, Ed seguindo-o por trás. Correu como se sua vida dependesse daquilo, e realmente dependia. Correu todo o corredor, desceu a ladeira, atravessou toda a casa sem pestanejar, sem desacelerar nem por um momento, expirando medo e terror, até sair da casa e se deparar com aquele cenário.
O parque estava inteiramente iluminado de vermelho. A barraca de comida, a montanha russa, a casa do espelho, tudo, tudo iluminado com um neon vermelho e cruel. Os portões estavam fechados, e em cada pedaço de grade jazia uma estátua de gárgula que fitava os que tentavam fugir do parque com desdém e ódio. Um ódio mortal, profundo e infeliz. E Ruukasu tombou no chão, as mãos meladas do sangue que lhe escorria do ferimento causado pelo vulto. Ed ajudou-o a se levantar.
-Você ta bem? – Perguntou Ed.
-To ótimo, levei uma facada, mas to sussa. – Ruukasu disse, irônico. – Bem, da pra sobreviver até a gente sair daqui.
Eles suspiraram três vezes e começaram a andar...
Capitulo 3
Spoiler
A noite descansava sombria e fria nos escuros braços do céu sem estrelas. O parque estava silencioso, iluminado apenas por violentas luzes vermelhas que inundavam todas as máquinas. Dois funcionários vagavam sem direção. Ruukasu e Ed, perdidos, cujo único desejo era estar o mais longe possível daquele vulto fumarento e assassino.
-O que vamos fazer agora, Ero Edu? – Ruukasu perguntou. Sua respiração estava afobada e seu ferimento sangrava.
-Acho melhor a gente procurar o pessoal. Quanto mais gente tiver, melhor.
E de relance, Ed olhou para as grades que declaravam metalicamente o fim do parque e para as estátuas demoníacas que guardavam todas as chances de fuga. Elas pareciam encará-lo com desdém e ódio, e mesmo sem provas Ed e Ruukasu sentiam que, se fizessem qualquer menção de fugir, seriam devorados vivos. Ed desviou o olhar. Era nojento e aterrorizante demais encarar aquelas figuras sarcásticas.
Foi então que Ruukasu avistou algo. No topo da roda gigante, pendurado pela camisa no vagão mais alto do gigantesco brinquedo jazia um corpo desacordado e solto, podendo cair a qualquer momento. As luzes vermelhas que partiam do chão tentavam alcançar aquele corpo adormecido, porém a medida que subiam a estrutura da roda gigante a luz ia perdendo seu brilho para o escuro breu da noite, e isso fazia daquela roda gigante a mais mortal e amedrontadora de todas.
-Aquele é... Heeiro... – Ruukasu constatou, boquiaberto.
Ed pôs Ruukasu sentado no chão e subiu as mangas de seu uniforme.
-Ero Edu, não me diga que você vai subir ali... – Ruukasu perguntou enquanto observava o colega se preparar para a escalada.
Ed não disse nada. Apenas observou atentamente a construção e correu em sua direção. Ele não podia por a roda para girar, ou Heeiro cairia imediatamente no chão. A queda seria mortal, com certeza. A única solução era escalar aquele gigante e tirá-lo de lá a força, mas ora, Ed nem sabia se o rapaz estava vivo! Mas era necessário realizar aquele fato. Tinha que salvar o Heeiro, estando ele vivo ou morto. Se assim o fizesse e se tornasse um herói, quem sabe a Nessa...
Ed subiu no primeiro vagão. Já estava pronto para se agarrar no vagão seguinte quando, por acaso, percebeu ferrugens no ferro que conectava o vagão à estrutura da roda. Ferrugens vivas, cheias de bolhas de metal, de uma cor podre como carne queimada. Não deveriam haver ferrugens ali. O brinquedo era novo, afinal, restaurado há apenas algumas semanas atrás a pedido do próprio Ed. Mas não era hora de pensar nisso. Firmou o pé no banco do vagão, agarrou-se no vagão de cima e, com apenas um impulso, começou sua subida mortal.
Ruukasu observava o companheiro subir o brinquedo com habilidade. Porém, a roda gigante era enorme. Ia demorar pelo menos dez minutos para que o resgate fosse concluído. Mas não havia tempo para se preocupar com Ed, afinal, Ruukasu estava em uma situação ainda mais perigosa. Sua vida estava a escorrer pelos seus dedos em forma de sangue, um sangue vivo e brilhante, iluminado pelas luzes vermelhas que encantavam o parque. Começou a ficar tonto, e o foco de sua visão começou a ser distorcido. Ouviu passos atrás de si. Passos lentos, pesados, ritmados. Era o fim. Os passos pararam, e uma mão fria tocou-lhe as costas. Ruukasu apertou os olhos esperando o pior.
-Ruuka, o que diabos está acontecendo aqui?
Ruukasu abriu os olhos e olhou para trás. Uma bela moça estava postada diante dele.
-Nessa-nee! Mas o que...
As suas palavras se embaralharam. Estava fraco demais até para falar. Perdera muito sangue. Finalmente Nessa percebeu o ferimento. Ela deitou o funcionário e tirou sua camisa. Rapidamente, e com habilidade, estancou o ferimento e fez um curativo.
-Nessa-nee... O que você está fazendo aqui? – Ruukasu perguntou com uma voz cansada.
-Eu tava trabalhando, fazendo uma reportagem sobre o parque quando o apagão aconteceu.
-Haha... E onde aprendeu a fazer esses curativos?
Ela sorriu. – O Ed e o Night, quando brigavam e se feriam, sempre vinham pra eu fazer o curativo. Acho que posso dizer que aprendi com a prática. Falando nisso, onde está o Ed?
O semblante de Ruukasu escureceu. Ele olhou para a roda gigante.
Com algum esforço, Ed subiu mais um vagão. Estava suado e ofegante, mas não havia tempo para descanso. Olhou para o vagão que balançava acima de sua cabeça: aquele seria o mais difícil de todos, pois se encontrava numa posição vertical. Ed olhou para baixo. A altura era nauseante. Qualquer erro implicava morte. O vento batia com violência em seu rosto e balançava os vagões vagarosamente. Além disso, as ferrugens pareciam piorar a cada vagão que o funcionário subia. Olhou para cima mais uma vez e para o lugar onde deixara Ruukasu. Uma figura conhecida gritava e acenava algo. Ed sorriu euforicamente. Era a Nessa e, junto com ela, a chance de impressioná-la com seu feito heróico. Porém não havia felicidade no grito de Nessa, tampouco qualquer emoção boa. Era um grito de aviso, de perigo, e ela apontava repetidamente para a base da roda gigante.
O vulto fumarento. Lá estava ele, estático, frio, mortal, postado na base da roda gigante. Ele tinha dois objetos na mão: um fino e curto, e uma caixinha pequena. Ele riscou o fósforo na caixa e uma labareda de chama subiu os pés do brinquedo, lambendo o metal enferrujado com um calor cruel. O vulto acabara de incendiar a roda gigante e as chamas eram enormes, apesar de não terem alcançado o vagão onde Ed estava. Ainda assim, porém, eram imensas e o calor era intenso. Era como se o rapaz estivesse no inferno ou no mais profundo centro da terra. O vermelho tornou-se mais intenso. Ele tinha que subir mais ou iria morrer com aquele calor mortal. Pulou para o vagão seguinte, mas, neste exato momento, o vagão despencou.
Capitulo Três
A noite descansava sombria e fria nos escuros braços do céu sem estrelas. O parque estava silencioso, iluminado apenas por violentas luzes vermelhas que inundavam todas as máquinas. Dois funcionários vagavam sem direção. Ruukasu e Ed, perdidos, cujo único desejo era estar o mais longe possível daquele vulto fumarento e assassino.
-O que vamos fazer agora, Ero Edu? – Ruukasu perguntou. Sua respiração estava afobada e seu ferimento sangrava.
-Acho melhor a gente procurar o pessoal. Quanto mais gente tiver, melhor.
E de relance, Ed olhou para as grades que declaravam metalicamente o fim do parque e para as estátuas demoníacas que guardavam todas as chances de fuga. Elas pareciam encará-lo com desdém e ódio, e mesmo sem provas Ed e Ruukasu sentiam que, se fizessem qualquer menção de fugir, seriam devorados vivos. Ed desviou o olhar. Era nojento e aterrorizante demais encarar aquelas figuras sarcásticas.
Foi então que Ruukasu avistou algo. No topo da roda gigante, pendurado pela camisa no vagão mais alto do gigantesco brinquedo jazia um corpo desacordado e solto, podendo cair a qualquer momento. As luzes vermelhas que partiam do chão tentavam alcançar aquele corpo adormecido, porém a medida que subiam a estrutura da roda gigante a luz ia perdendo seu brilho para o escuro breu da noite, e isso fazia daquela roda gigante a mais mortal e amedrontadora de todas.
-Aquele é... Heeiro... – Ruukasu constatou, boquiaberto.
Ed pôs Ruukasu sentado no chão e subiu as mangas de seu uniforme.
-Ero Edu, não me diga que você vai subir ali... – Ruukasu perguntou enquanto observava o colega se preparar para a escalada.
Ed não disse nada. Apenas observou atentamente a construção e correu em sua direção. Ele não podia por a roda para girar, ou Heeiro cairia imediatamente no chão. A queda seria mortal, com certeza. A única solução era escalar aquele gigante e tirá-lo de lá a força, mas ora, Ed nem sabia se o rapaz estava vivo! Mas era necessário realizar aquele fato. Tinha que salvar o Heeiro, estando ele vivo ou morto. Se assim o fizesse e se tornasse um herói, quem sabe a Nessa...
Ed subiu no primeiro vagão. Já estava pronto para se agarrar no vagão seguinte quando, por acaso, percebeu ferrugens no ferro que conectava o vagão à estrutura da roda. Ferrugens vivas, cheias de bolhas de metal, de uma cor podre como carne queimada. Não deveriam haver ferrugens ali. O brinquedo era novo, afinal, restaurado há apenas algumas semanas atrás a pedido do próprio Ed. Mas não era hora de pensar nisso. Firmou o pé no banco do vagão, agarrou-se no vagão de cima e, com apenas um impulso, começou sua subida mortal.
Ruukasu observava o companheiro subir o brinquedo com habilidade. Porém, a roda gigante era enorme. Ia demorar pelo menos dez minutos para que o resgate fosse concluído. Mas não havia tempo para se preocupar com Ed, afinal, Ruukasu estava em uma situação ainda mais perigosa. Sua vida estava a escorrer pelos seus dedos em forma de sangue, um sangue vivo e brilhante, iluminado pelas luzes vermelhas que encantavam o parque. Começou a ficar tonto, e o foco de sua visão começou a ser distorcido. Ouviu passos atrás de si. Passos lentos, pesados, ritmados. Era o fim. Os passos pararam, e uma mão fria tocou-lhe as costas. Ruukasu apertou os olhos esperando o pior.
-Ruuka, o que diabos está acontecendo aqui?
Ruukasu abriu os olhos e olhou para trás. Uma bela moça estava postada diante dele.
-Nessa-nee! Mas o que...
As suas palavras se embaralharam. Estava fraco demais até para falar. Perdera muito sangue. Finalmente Nessa percebeu o ferimento. Ela deitou o funcionário e tirou sua camisa. Rapidamente, e com habilidade, estancou o ferimento e fez um curativo.
-Nessa-nee... O que você está fazendo aqui? – Ruukasu perguntou com uma voz cansada.
-Eu tava trabalhando, fazendo uma reportagem sobre o parque quando o apagão aconteceu.
-Haha... E onde aprendeu a fazer esses curativos?
Ela sorriu. – O Ed e o Night, quando brigavam e se feriam, sempre vinham pra eu fazer o curativo. Acho que posso dizer que aprendi com a prática. Falando nisso, onde está o Ed?
O semblante de Ruukasu escureceu. Ele olhou para a roda gigante.
Com algum esforço, Ed subiu mais um vagão. Estava suado e ofegante, mas não havia tempo para descanso. Olhou para o vagão que balançava acima de sua cabeça: aquele seria o mais difícil de todos, pois se encontrava numa posição vertical. Ed olhou para baixo. A altura era nauseante. Qualquer erro implicava morte. O vento batia com violência em seu rosto e balançava os vagões vagarosamente. Além disso, as ferrugens pareciam piorar a cada vagão que o funcionário subia. Olhou para cima mais uma vez e para o lugar onde deixara Ruukasu. Uma figura conhecida gritava e acenava algo. Ed sorriu euforicamente. Era a Nessa e, junto com ela, a chance de impressioná-la com seu feito heróico. Porém não havia felicidade no grito de Nessa, tampouco qualquer emoção boa. Era um grito de aviso, de perigo, e ela apontava repetidamente para a base da roda gigante.
O vulto fumarento. Lá estava ele, estático, frio, mortal, postado na base da roda gigante. Ele tinha dois objetos na mão: um fino e curto, e uma caixinha pequena. Ele riscou o fósforo na caixa e uma labareda de chama subiu os pés do brinquedo, lambendo o metal enferrujado com um calor cruel. O vulto acabara de incendiar a roda gigante e as chamas eram enormes, apesar de não terem alcançado o vagão onde Ed estava. Ainda assim, porém, eram imensas e o calor era intenso. Era como se o rapaz estivesse no inferno ou no mais profundo centro da terra. O vermelho tornou-se mais intenso. Ele tinha que subir mais ou iria morrer com aquele calor mortal. Pulou para o vagão seguinte, mas, neste exato momento, o vagão despencou.
Capitulo 4
Spoiler
Ed agarrou com toda a sua força o vagão de cima bem no momento que o vagão em que estava despencou. Ele suava profundamente com o calor que as labaredas emanavam do pé da roda gigante. O parque estava vermelho. Muito vermelho. Fogo, luzes, e até a brisa noturna que abatia-lhe o corpo solto era quente, insuportavelmente quente. Com um impulso que exigiu força sobre-humana, Ed subiu o vagão e tornou a escalar. Olhou para cima, para o corpo do maquinista Heeiro pendurado no ponto mais alto da roda gigante, e depois para baixo, para as pequenas figuras de Nessa e Ruukasu encostadas numa parede, longe da roda. Pisa, segura, empurra e sobe. Pisa, segura, empurra e sobe. Ed ia subindo em um ritmo intenso e cansativo, e logo o calor do fogo foi deixado para trás. Ele estava em um lugar alto, muito alto, quase alcançando o topo da montanha russa. As luzes vermelhas, que tanto aterrorizavam e queimavam a paisagem do parque, eram tão pequenas e indefesas daquela altura! E o vento batia tão fortemente, tão frio e tão tranqüilo, e as estrelas brilhavam como lâmpadas no céu escuro e sereno da noite. Ed subiu o ultimo vagão e aproximou-se do corpo de Heeiro, desacordado e preso na grossa haste vertical da montanha russa por um prego na camisa.
Ed respirou fundo. Só agora percebera o quanto era gigante aquela altura, e o quanto aquilo lhe aterrorizava. Ruukasu e Nessa, agora, eram apenas dois pontos no chão, quase como duas pequenas estrelas, quase invisíveis, no céu do amanhecer. Uma queda seria fatal. Não, uma queda seria insuportavelmente fatal. Ed sentia que, se caísse daquela altura, sofreria com a queda não só até seu fim, mas pelo resto da eternidade após a morte. Mas ele respirou fundo. Inclinou-se para o abismo fatal da altura e agarrou Heeiro pelo peito. Ele estava respirando devagar, compassadamente, vivo. E num esforço mais mortal ainda, Ed o puxou para dentro do vagão.
Mas calculou errado o peso e, por um instante, sentiu seu corpo pender para o grande abismo. O medo lhe enforcou a garganta e atravessou o peito. Num ultimo esforço, pisou no parapeito do vagão e, com um exagero de força causado pelo terror, puxou Heeiro para dentro. Os dois foram de encontro ao banco e se chocaram com força. O vagão balançou violentamente, quase como se fosse cair, mas não o fez.
-Ah, filhotes são tão fofinhos... – Heeiro falou, meio inconsciente.
-Acorda, Heeiro. Hei, Heeiro! Acorda sua galinha! – Ed falou dando tapas no rosto do rapaz.
-Hã? Ed? Você está me assediando?
-BAKA! Quem iria querer te assediar? Vamos, acorda logo, nós temos que descer imediatamente. To tremendo até os pelos do pé, vê!
Heeiro fechou os olhos com força ao sentar-se. Sua cabeça latejava terrivelmente. Ele estava tonto e nauseado, e teve de descansar longos minutos até ficar bem. Mas, ainda assim, seu corpo estava fraco e cansado.
-Como você veio parar aqui? – Ed perguntou.
-Não lembro... Só sei que eu tava concertando um parafuso nesse vagão. Lembro que vi uma fumaça preta, e a próxima coisa que eu vi foi... – Heeiro se esforçou para lembrar. – você me assediando.
-EU NÃO TE ASSEDIEI! – Ed suspirou e retomou a calma. – A propósito, Nessa e Ruuka estão lá em baixo esperando a gente. Melhor descermos logo.
Ed se levantou e esticou o corpo. Suspirou os ares gelados do topo da roda gigante uma ultima vez. Abaixo de si o fogo continuava a lamber o metal da roda, mas estava muito abaixo dele, muito abaixo. Heeiro se levantou também, alongou o tronco dolorido para curar a sonolência e olhou para o vagão que iriam descer.
-Ed... Como vamos descer isso?
Agora que o assunto veio à tona, Ed realmente não sabia como conseguiriam descer. Subir era fácil, afinal, havia o parapeito do vagão para se apoiar. Mas e para descer? A única coisa que podia fazer era pular, pura e simplesmente pular, e torcer para cair no local certo. Mas a altura era tanta, o medo era tanto, que Ed começou a se desesperar. Não conseguiriam descer. Morreriam ali, no alto, no silêncio do céu escuro.
-Ed, quem é aquele rapaz?
Ed virou-se e deparou com o aterrorizante Vulto negro a subir a roda gigante. Sem pestanejar, apoiou o pé no parapeito e pulou para o vagão debaixo. Porém, Ed mirou errado e, batendo com força no parapeito do vagão, escorregou para o abismo fatal da altitude.
Tombou no vagão abaixo do qual ele despencou. Sua cabeça doía como se milhares de abelhas zunissem dentro de seu crânio. Seu tornozelo queimava e estava virado em uma posição estranha; Tinha quebrado o pé. Só então Ed percebera que o fogo havia subido e que seria impossível chegar ao solo sem virar pó. Estava tudo perdido. Heeiro aterrissou com leveza ao seu lado.
-Estamos perdidos, Heeiro... E eu nem consegui impressionar a Nessa.
Seu peito doía por dentro. Olhou para o céu escuro e frio, para o fogo e para as luzes rubras que tornavam aquele alegre parque de diversões em um demoníaco campo de concentração. E olhou para o local onde, antes, jaziam dois vultos conhecidos e amigáveis – Nessa e Ruukasu. Porém, naquele momento, só havia um vulto lá.
Ed ouviu um grito. Um grito profundo de raiva e esforço, como se finalmente alguém tivesse atingido seu objetivo de vida. E num clack profundo e grotesco, a roda gigante começou a girar. Ruukasu correu para longe do gigante em chamas e voltou a observar.
-Ruukasu... Ele ligou a roda... – Ed constatou.
Ao mesmo tempo em que o movimento da roda ajudaria Ed e Heeiro a descer, porém, também era fatal. A cada segundo que se passava, a cada metro que os dois se aproximavam do chão, o ar ficava mais quente e mais insuportável – as chamas logo estavam os alcançando. E o vulto negro e fumarento não parava de se aproximar.
-Temos que fazer algo, Heeiro. – Ed constatou.
Heeiro pôs a mão no queixo e pensou por alguns instantes. Ed o observou com ansiedade.
-Ed... A roda gigante está em chamas, correto?
-Sim, certamente...
-E você foi a pessoa que arrumou os documentos para a sua reforma, não é? Por isso a roda gigante é quase sua, não é?
-Bom, tecnicamente sim... – Disse Ed, confuso. Não entendia o ponto do colega.
-Então... Sua rodinha tá pegando fogo, Ed?
-BAKA! Não percebe que estamos numa situação de vida ou morte?
Nesse exato momento, um solavanco balançou violentamente toda a roda. Os corpos de Ed e Heeiro foram lançados de um lado para o outro dentro do vagão, e o vulto despencou da roda e pareceu se dissipar como névoa no ar. Um outro solavanco se seguiu, dessa vez mais violento e aterrorizante, e a roda começou a girar mais rápido.
-O que está acontecendo! – Gritou Ed enquanto seu corpo era jogado de um lado para o outro, incansavelmente.
-O eixo que ligava a roda a base derreteu por causa da chama. Agora a roda está fora de controle! – Heeiro declarou.
O barulho era ensurdecedor, e a roda não parava de girar. Os dois funcionários se agarraram ao seu vagão e cerraram os olhos com força enquanto a roda girava loucamente, e em chamas. O calor era mortal, a tontura era extrema. A roda, então, pôs-se a girar mais rapidamente em um circulo que ficava cada vez menos. Ela estava parando e, como num disco de Euller, sua freqüência ficava cada vez maior e cada vez mais insuportável. Logo Ed e Heeiro foram lançados para fora do vagão e atingidos de todo lado por parafusos e hastes de metal que voavam na tempestade giratória. Ed caiu no chão, entorpecido, surdo pelo barulho e cegado pelo fogo, até que uma grande tábua de ferro acertou-lhe as têmporas e ele perdeu a consciência imediatamente.
Capitulo Quatro
Ed agarrou com toda a sua força o vagão de cima bem no momento que o vagão em que estava despencou. Ele suava profundamente com o calor que as labaredas emanavam do pé da roda gigante. O parque estava vermelho. Muito vermelho. Fogo, luzes, e até a brisa noturna que abatia-lhe o corpo solto era quente, insuportavelmente quente. Com um impulso que exigiu força sobre-humana, Ed subiu o vagão e tornou a escalar. Olhou para cima, para o corpo do maquinista Heeiro pendurado no ponto mais alto da roda gigante, e depois para baixo, para as pequenas figuras de Nessa e Ruukasu encostadas numa parede, longe da roda. Pisa, segura, empurra e sobe. Pisa, segura, empurra e sobe. Ed ia subindo em um ritmo intenso e cansativo, e logo o calor do fogo foi deixado para trás. Ele estava em um lugar alto, muito alto, quase alcançando o topo da montanha russa. As luzes vermelhas, que tanto aterrorizavam e queimavam a paisagem do parque, eram tão pequenas e indefesas daquela altura! E o vento batia tão fortemente, tão frio e tão tranqüilo, e as estrelas brilhavam como lâmpadas no céu escuro e sereno da noite. Ed subiu o ultimo vagão e aproximou-se do corpo de Heeiro, desacordado e preso na grossa haste vertical da montanha russa por um prego na camisa.
Ed respirou fundo. Só agora percebera o quanto era gigante aquela altura, e o quanto aquilo lhe aterrorizava. Ruukasu e Nessa, agora, eram apenas dois pontos no chão, quase como duas pequenas estrelas, quase invisíveis, no céu do amanhecer. Uma queda seria fatal. Não, uma queda seria insuportavelmente fatal. Ed sentia que, se caísse daquela altura, sofreria com a queda não só até seu fim, mas pelo resto da eternidade após a morte. Mas ele respirou fundo. Inclinou-se para o abismo fatal da altura e agarrou Heeiro pelo peito. Ele estava respirando devagar, compassadamente, vivo. E num esforço mais mortal ainda, Ed o puxou para dentro do vagão.
Mas calculou errado o peso e, por um instante, sentiu seu corpo pender para o grande abismo. O medo lhe enforcou a garganta e atravessou o peito. Num ultimo esforço, pisou no parapeito do vagão e, com um exagero de força causado pelo terror, puxou Heeiro para dentro. Os dois foram de encontro ao banco e se chocaram com força. O vagão balançou violentamente, quase como se fosse cair, mas não o fez.
-Ah, filhotes são tão fofinhos... – Heeiro falou, meio inconsciente.
-Acorda, Heeiro. Hei, Heeiro! Acorda sua galinha! – Ed falou dando tapas no rosto do rapaz.
-Hã? Ed? Você está me assediando?
-BAKA! Quem iria querer te assediar? Vamos, acorda logo, nós temos que descer imediatamente. To tremendo até os pelos do pé, vê!
Heeiro fechou os olhos com força ao sentar-se. Sua cabeça latejava terrivelmente. Ele estava tonto e nauseado, e teve de descansar longos minutos até ficar bem. Mas, ainda assim, seu corpo estava fraco e cansado.
-Como você veio parar aqui? – Ed perguntou.
-Não lembro... Só sei que eu tava concertando um parafuso nesse vagão. Lembro que vi uma fumaça preta, e a próxima coisa que eu vi foi... – Heeiro se esforçou para lembrar. – você me assediando.
-EU NÃO TE ASSEDIEI! – Ed suspirou e retomou a calma. – A propósito, Nessa e Ruuka estão lá em baixo esperando a gente. Melhor descermos logo.
Ed se levantou e esticou o corpo. Suspirou os ares gelados do topo da roda gigante uma ultima vez. Abaixo de si o fogo continuava a lamber o metal da roda, mas estava muito abaixo dele, muito abaixo. Heeiro se levantou também, alongou o tronco dolorido para curar a sonolência e olhou para o vagão que iriam descer.
-Ed... Como vamos descer isso?
Agora que o assunto veio à tona, Ed realmente não sabia como conseguiriam descer. Subir era fácil, afinal, havia o parapeito do vagão para se apoiar. Mas e para descer? A única coisa que podia fazer era pular, pura e simplesmente pular, e torcer para cair no local certo. Mas a altura era tanta, o medo era tanto, que Ed começou a se desesperar. Não conseguiriam descer. Morreriam ali, no alto, no silêncio do céu escuro.
-Ed, quem é aquele rapaz?
Ed virou-se e deparou com o aterrorizante Vulto negro a subir a roda gigante. Sem pestanejar, apoiou o pé no parapeito e pulou para o vagão debaixo. Porém, Ed mirou errado e, batendo com força no parapeito do vagão, escorregou para o abismo fatal da altitude.
Tombou no vagão abaixo do qual ele despencou. Sua cabeça doía como se milhares de abelhas zunissem dentro de seu crânio. Seu tornozelo queimava e estava virado em uma posição estranha; Tinha quebrado o pé. Só então Ed percebera que o fogo havia subido e que seria impossível chegar ao solo sem virar pó. Estava tudo perdido. Heeiro aterrissou com leveza ao seu lado.
-Estamos perdidos, Heeiro... E eu nem consegui impressionar a Nessa.
Seu peito doía por dentro. Olhou para o céu escuro e frio, para o fogo e para as luzes rubras que tornavam aquele alegre parque de diversões em um demoníaco campo de concentração. E olhou para o local onde, antes, jaziam dois vultos conhecidos e amigáveis – Nessa e Ruukasu. Porém, naquele momento, só havia um vulto lá.
Ed ouviu um grito. Um grito profundo de raiva e esforço, como se finalmente alguém tivesse atingido seu objetivo de vida. E num clack profundo e grotesco, a roda gigante começou a girar. Ruukasu correu para longe do gigante em chamas e voltou a observar.
-Ruukasu... Ele ligou a roda... – Ed constatou.
Ao mesmo tempo em que o movimento da roda ajudaria Ed e Heeiro a descer, porém, também era fatal. A cada segundo que se passava, a cada metro que os dois se aproximavam do chão, o ar ficava mais quente e mais insuportável – as chamas logo estavam os alcançando. E o vulto negro e fumarento não parava de se aproximar.
-Temos que fazer algo, Heeiro. – Ed constatou.
Heeiro pôs a mão no queixo e pensou por alguns instantes. Ed o observou com ansiedade.
-Ed... A roda gigante está em chamas, correto?
-Sim, certamente...
-E você foi a pessoa que arrumou os documentos para a sua reforma, não é? Por isso a roda gigante é quase sua, não é?
-Bom, tecnicamente sim... – Disse Ed, confuso. Não entendia o ponto do colega.
-Então... Sua rodinha tá pegando fogo, Ed?
-BAKA! Não percebe que estamos numa situação de vida ou morte?
Nesse exato momento, um solavanco balançou violentamente toda a roda. Os corpos de Ed e Heeiro foram lançados de um lado para o outro dentro do vagão, e o vulto despencou da roda e pareceu se dissipar como névoa no ar. Um outro solavanco se seguiu, dessa vez mais violento e aterrorizante, e a roda começou a girar mais rápido.
-O que está acontecendo! – Gritou Ed enquanto seu corpo era jogado de um lado para o outro, incansavelmente.
-O eixo que ligava a roda a base derreteu por causa da chama. Agora a roda está fora de controle! – Heeiro declarou.
O barulho era ensurdecedor, e a roda não parava de girar. Os dois funcionários se agarraram ao seu vagão e cerraram os olhos com força enquanto a roda girava loucamente, e em chamas. O calor era mortal, a tontura era extrema. A roda, então, pôs-se a girar mais rapidamente em um circulo que ficava cada vez menos. Ela estava parando e, como num disco de Euller, sua freqüência ficava cada vez maior e cada vez mais insuportável. Logo Ed e Heeiro foram lançados para fora do vagão e atingidos de todo lado por parafusos e hastes de metal que voavam na tempestade giratória. Ed caiu no chão, entorpecido, surdo pelo barulho e cegado pelo fogo, até que uma grande tábua de ferro acertou-lhe as têmporas e ele perdeu a consciência imediatamente.
Capitulo 5
Spoiler
Capitulo Cinco
Ruukasu caminhava pelos destroços da roda gigante com terror. O fogo crepitava, disperso em pequenas porções aleatórias, como sementes jogadas despreocupadamente em cima dos restos metálicos do brinquedo. A fumaça e o calor eram intensos e faziam os olhos arderem e a pele queimar.
O rapaz andava com dificuldade, porém estava decidido a encontrar o que estava procurando. Lembrou-se da cena aterrorizante da roda saindo do eixo e rolando pela grande área vazia do parque. Lembrou-se do quão terrível fora a visão do corpo de Ed e Heeiro sendo atirados de seu vagão. Mas ainda havia a chance de eles estarem vivos... Sim, ainda havia, e era por isso que Ruukasu estava ali.
-Ero Edu! Heeiro-san! – Gritou, porém sem resposta.
Foi então que, por trás de um vagão destroçado e em chamas, Ruukasu avistou algo. Correu até o seu achado e se deparou com o corpo de Ed, muito próximo das chamas. O calor era intenso. Ruukasu se aproximou e pegou-o, sentindo no rosto uma baforada quente, como se o fogo houvesse o beijado. Após tirar Ed dali, colocou o parceiro nas costas. Agora, tinha de sair daquele cemitério de metal...
-Ruuka... A Nessa... Gostou de eu ter salvo o Heeiro? – Ed perguntou, meio inconsciente.
-Ela não viu. Foi ao banheiro nessa hora... Mas não se preocupe, eu vou contar detalhadamente como você heroicamente assediou o Heeiro. – Ruukasu brincou.
-Desgraçado... – Ed sorriu e desmaiou.
Quando Ruukasu chegou a um local seguro, longe das chamas e dos restos mortais da roda, viu Nessa sentada ao lado do corpo de Heeiro, na grama. Ruukasu pôs Ed no chão e se agachou perto do maquinista.
-Ele está bem, Nessa-nee?
-Ta dormindo. Bem até demais. E o Ed?
-Cheio de hematomas por causa da queda, mas vai acordar daqui a pouco... Você pode cuidar deles? Vou ver se acho mais alguém por aí...
-Seu ferimento...
-Não tem problema, não foi nada grave.
Meio hesitante, Nessa calou-se e tornou a cuidar do faxineiro ferido. Ruukasu se levantou e observou o parque por um curto instante. Havia dezenas de brinquedos, e centenas de funcionários trabalhavam ali naquela noite... Eles tinham que achar um jeito de escapar, e para isso, deveriam estar todos juntos. Ruukasu deu um primeiro passo, porém uma mão suave agarrou sua calça de faxineiro.
-Eu vou com você, nii-chan. – Heeiro afirmou, levantando-se.
-VOCÊ TA ACORDADO? – Ruukasu gritou, espantado.
-To sim :3 Caí por cima do Ed, por isso não me feri ^.^ – Heeiro explicou.
-Mas se você for, a Nessa vai ficar sozinha...
-Pode ir.
Ed disse, sentando-se. Seu olhar era confiante e poderoso, e Ruukasu logo foi preenchido por uma sensação de segurança.
-Eu cuido da Nessa. – Ed completou.
-Mas Ed...
-Confie em mim. – E deu uma piscadela.
-Ed...
-VAI LOGO RUUKASU!
-Tá, foi mal! (>.<)
Ruukasu e Heeiro andaram com cuidado pelo parque preenchido de vermelho. O silêncio havia tomado conta daquele lugar, e nenhuma alma viva andava por ali. A todo o momento os dois rapazes olhavam para os cantos e para os locais mal iluminados dos brinquedos, temendo que um vulto negro e fumarento pudesse aparecer a qualquer momento e apunhalar suas costas.
-E então, Heeiro-san, para onde vamos? – Após cinco minutos de caminhada, Ruukasu perguntou.
-À barraca de algodão doce *_* - Heeiro disse. Ruukasu suspirou.
-Eu tive uma idéia. Vamos à cabine de rádio. Assim, poderemos reunir os funcionários com mais facilidade... Olha aqui, chegamos!
A cabine de rádio estava em um canto mal iluminado, próximo à grade que delimitava o fim do parque. Ela ficava no lado oposto da entrada principal, ou seja, na parte mais funda, mais periférica do parque todo. Era apenas uma casinha pequena e carcomida pelo tempo. O limo subia-lhe as paredes mofadas e a porta pendia enferrujada.
-A casa de rádio estava em melhores condições da ultima vez que vi – Ruukasu afirmou.
Devagar, os dois adentraram a pequenina construção. Lá dentro estava úmido e cheirava a mofo. Um microfone, um teclado de áudio e duas cadeiras era tudo o que havia naquele pequeno espaço. Heeiro se aproximou do teclado e pressionou a tecla de ligar; Nada aconteceu. O maquinista abaixou-se e abriu uma portinhola que ficava embaixo da mesa, e lá dentro jaziam diversos fios de várias cores, todos úmidos e velhos.
-Está bem estragado isso aqui, Nii-chan... Precisamos de um eletricista para concertar. – Heeiro afirmou, levantando-se.
-Um eletricista... Você quer dizer, aquela pessoa?
-Sim... – Heeiro Sorriu. - O Taiga ^. ^
Ed e Nessa corriam desesperadamente. Atrás deles, uma sombra, um vulto negro e fumarento parecia desaparecer e aparecer, cada vez mais próximo. As luzes rubras iluminavam um caminho de sangue e nuvens chorosas, e o corpo de Ed doía como se diversas agulhas penetrassem seus ossos e nervos. Olhou para o lado: o vulto corria paralelamente a si. Ed se abaixou no exato momento em que uma faca precisa e fria cortou o ar e encravou-se até o cabo na madeira de uma barraca de cachorro-quente. Eles viraram uma curva e adentraram uma pequena fenda que se abria entre dois brinquedos gigantes. Lá era escuro e apertado, mas ainda assim Nessa e Ed não desaceleraram. Era de lugares escuros que eles tinham maior medo, porém aquele era o único caminho disponível. Porém, Ed tropeçou em um fio e foi ao chão. Nessa parou.
-Vá Nessa! Corre!
Não havia tempo para sentimentalismos. Nessa correu o mais rápido que pode enquanto Ed esperava a morte se aproximar. E ela já estava bastante perto. Ed podia sentir o bafo gélido do vulto fumarento postado em cima dele. Um som de metal ecoou em seus ouvidos enquanto o algoz estendia sua adaga com pretensão. Mas um segundo e...
Uma guitarra preta e pesada foi levantada ao alto. E desceu cortante e rude em direção à nuca do vulto escuro. Porém, o mesmo desapareceu e a guitarra afundou na testa da sua vítma.
-AAAAAHHHHHH – Ed gritou, com um galo enorme na cabeça.
-Foi mal aí Ed. Cadê aquela coisa feia?! – Gritou o homem de cabelos longos e barba mal feita.
Ed pegou a guitarra e estocou seu braço na barriga do rapaz.
-Você me paga, Night!
Ruukasu caminhava pelos destroços da roda gigante com terror. O fogo crepitava, disperso em pequenas porções aleatórias, como sementes jogadas despreocupadamente em cima dos restos metálicos do brinquedo. A fumaça e o calor eram intensos e faziam os olhos arderem e a pele queimar.
O rapaz andava com dificuldade, porém estava decidido a encontrar o que estava procurando. Lembrou-se da cena aterrorizante da roda saindo do eixo e rolando pela grande área vazia do parque. Lembrou-se do quão terrível fora a visão do corpo de Ed e Heeiro sendo atirados de seu vagão. Mas ainda havia a chance de eles estarem vivos... Sim, ainda havia, e era por isso que Ruukasu estava ali.
-Ero Edu! Heeiro-san! – Gritou, porém sem resposta.
Foi então que, por trás de um vagão destroçado e em chamas, Ruukasu avistou algo. Correu até o seu achado e se deparou com o corpo de Ed, muito próximo das chamas. O calor era intenso. Ruukasu se aproximou e pegou-o, sentindo no rosto uma baforada quente, como se o fogo houvesse o beijado. Após tirar Ed dali, colocou o parceiro nas costas. Agora, tinha de sair daquele cemitério de metal...
-Ruuka... A Nessa... Gostou de eu ter salvo o Heeiro? – Ed perguntou, meio inconsciente.
-Ela não viu. Foi ao banheiro nessa hora... Mas não se preocupe, eu vou contar detalhadamente como você heroicamente assediou o Heeiro. – Ruukasu brincou.
-Desgraçado... – Ed sorriu e desmaiou.
Quando Ruukasu chegou a um local seguro, longe das chamas e dos restos mortais da roda, viu Nessa sentada ao lado do corpo de Heeiro, na grama. Ruukasu pôs Ed no chão e se agachou perto do maquinista.
-Ele está bem, Nessa-nee?
-Ta dormindo. Bem até demais. E o Ed?
-Cheio de hematomas por causa da queda, mas vai acordar daqui a pouco... Você pode cuidar deles? Vou ver se acho mais alguém por aí...
-Seu ferimento...
-Não tem problema, não foi nada grave.
Meio hesitante, Nessa calou-se e tornou a cuidar do faxineiro ferido. Ruukasu se levantou e observou o parque por um curto instante. Havia dezenas de brinquedos, e centenas de funcionários trabalhavam ali naquela noite... Eles tinham que achar um jeito de escapar, e para isso, deveriam estar todos juntos. Ruukasu deu um primeiro passo, porém uma mão suave agarrou sua calça de faxineiro.
-Eu vou com você, nii-chan. – Heeiro afirmou, levantando-se.
-VOCÊ TA ACORDADO? – Ruukasu gritou, espantado.
-To sim :3 Caí por cima do Ed, por isso não me feri ^.^ – Heeiro explicou.
-Mas se você for, a Nessa vai ficar sozinha...
-Pode ir.
Ed disse, sentando-se. Seu olhar era confiante e poderoso, e Ruukasu logo foi preenchido por uma sensação de segurança.
-Eu cuido da Nessa. – Ed completou.
-Mas Ed...
-Confie em mim. – E deu uma piscadela.
-Ed...
-VAI LOGO RUUKASU!
-Tá, foi mal! (>.<)
Ruukasu e Heeiro andaram com cuidado pelo parque preenchido de vermelho. O silêncio havia tomado conta daquele lugar, e nenhuma alma viva andava por ali. A todo o momento os dois rapazes olhavam para os cantos e para os locais mal iluminados dos brinquedos, temendo que um vulto negro e fumarento pudesse aparecer a qualquer momento e apunhalar suas costas.
-E então, Heeiro-san, para onde vamos? – Após cinco minutos de caminhada, Ruukasu perguntou.
-À barraca de algodão doce *_* - Heeiro disse. Ruukasu suspirou.
-Eu tive uma idéia. Vamos à cabine de rádio. Assim, poderemos reunir os funcionários com mais facilidade... Olha aqui, chegamos!
A cabine de rádio estava em um canto mal iluminado, próximo à grade que delimitava o fim do parque. Ela ficava no lado oposto da entrada principal, ou seja, na parte mais funda, mais periférica do parque todo. Era apenas uma casinha pequena e carcomida pelo tempo. O limo subia-lhe as paredes mofadas e a porta pendia enferrujada.
-A casa de rádio estava em melhores condições da ultima vez que vi – Ruukasu afirmou.
Devagar, os dois adentraram a pequenina construção. Lá dentro estava úmido e cheirava a mofo. Um microfone, um teclado de áudio e duas cadeiras era tudo o que havia naquele pequeno espaço. Heeiro se aproximou do teclado e pressionou a tecla de ligar; Nada aconteceu. O maquinista abaixou-se e abriu uma portinhola que ficava embaixo da mesa, e lá dentro jaziam diversos fios de várias cores, todos úmidos e velhos.
-Está bem estragado isso aqui, Nii-chan... Precisamos de um eletricista para concertar. – Heeiro afirmou, levantando-se.
-Um eletricista... Você quer dizer, aquela pessoa?
-Sim... – Heeiro Sorriu. - O Taiga ^. ^
Ed e Nessa corriam desesperadamente. Atrás deles, uma sombra, um vulto negro e fumarento parecia desaparecer e aparecer, cada vez mais próximo. As luzes rubras iluminavam um caminho de sangue e nuvens chorosas, e o corpo de Ed doía como se diversas agulhas penetrassem seus ossos e nervos. Olhou para o lado: o vulto corria paralelamente a si. Ed se abaixou no exato momento em que uma faca precisa e fria cortou o ar e encravou-se até o cabo na madeira de uma barraca de cachorro-quente. Eles viraram uma curva e adentraram uma pequena fenda que se abria entre dois brinquedos gigantes. Lá era escuro e apertado, mas ainda assim Nessa e Ed não desaceleraram. Era de lugares escuros que eles tinham maior medo, porém aquele era o único caminho disponível. Porém, Ed tropeçou em um fio e foi ao chão. Nessa parou.
-Vá Nessa! Corre!
Não havia tempo para sentimentalismos. Nessa correu o mais rápido que pode enquanto Ed esperava a morte se aproximar. E ela já estava bastante perto. Ed podia sentir o bafo gélido do vulto fumarento postado em cima dele. Um som de metal ecoou em seus ouvidos enquanto o algoz estendia sua adaga com pretensão. Mas um segundo e...
Uma guitarra preta e pesada foi levantada ao alto. E desceu cortante e rude em direção à nuca do vulto escuro. Porém, o mesmo desapareceu e a guitarra afundou na testa da sua vítma.
-AAAAAHHHHHH – Ed gritou, com um galo enorme na cabeça.
-Foi mal aí Ed. Cadê aquela coisa feia?! – Gritou o homem de cabelos longos e barba mal feita.
Ed pegou a guitarra e estocou seu braço na barriga do rapaz.
-Você me paga, Night!
Capitulo 6
Spoiler
Capitulo Seis
-Ruuka, você entra e eu espero aqui fora :3 – Disse Heeiro num tom calmo. Suas pernas, porém, tremiam.
-Seria melhor se entrarmos juntos... – Ruukasu engole seco. – Tem certeza que o Carl está aí?
-Yay! Ele nunca sai daí ^.^
-Então, no três...
Um... Dois... Três... Ruukasu arrombou a porta.
Havia seis seres demoníacos e sedentos em cima de um corpo. Os seres eram mulheres belíssimas, com orelhas e caudas de gato, porém nos seus olhos havia o mesmo brilho vermelho que iluminava o parque. Elas se viraram assim que a porta explodiu com o chute do faxineiro.
-Kawaii ^.^ - Heeiro disse.
Porém, as nekomi demoníacas logo se levantaram, com suas garras e presas ensopadas de sangue. Ruukasu pegou um pau dos destroços da porta arrombada, e virou-se para Heeiro:
-Vamos ter que luta... HEI! AONDE VOCÊ ESTÁ INDO?
Heeiro já tinha corrido para longe. Ruukasu se preparou para a luta. Tiger Carl estava deitado, com um semblante de prazer, sem camisa e todo arranhado pelas Nekomi’s. “Eu te disse que essa sua tara faria mal a você...” Ruukasu pensa. E parte para o ataque.
De primeira, acerta uma paulada na cabeça de uma das Nekomi, que cai morta. Mas nesse mesmo instante, três avançam contra seu corpo. Ruukasu se debate tentado retirar aqueles pesos infinitos. Porém, elas não soltam. Em um impulso, Ruukasu se joga contra a parede e estoca o peito de uma delas com o pau. O sangue jorra em seu rosto. Suas costas são arranhadas e as unhas perfuram-lhe a carne. Estava tudo perdido. As Nekomi’s eram muitas, e muito fortes.
Porém, nesse mesmo instante, um pedaço gigante de um brinquedo do parque caí na casa e destrói todo o aparelho de eletricidade e esmaga três Nekomi’s. Ruukasu olha para a broca no teto e vê o maquinista Heeiro em cima do brinquedo, acenando. Porém, sem que percebesse, a Nekomi pulou em cima dele e o imobilizou. Ruukasu se debatia, mas era inútil. Ela estendeu o seu dedo com sua unha molhada de sangue e tocou o peito de Ruukasu. Um filete vermelho escorreu-lhe do cropo. Num movimento brusco, a Nekomi levantou a mão e preparou-se para o golpe final.
Porém, Taiga pegou um cabo solto e enfiou-lhe nas costas da mulher gato. Ela e Ruukasu sofreram um choque intenso e desmaiaram.
Nessa corria sem descanso. Olhou para trás, porém já não conseguiu ver Ed. Ele devia estar morto. Ela continuou olhando, e uma lagrima começou a descer pela sua face.
-Ed... Finalmente me livrei de você...
Porém, Nessa se chocou contra alguém. Ambas as meninas caíram no chão. Nessa se levantou rapidamente.
-OLHE POR ONDE ANDA!
-Sorry! (Desculpe)
Nessa olhou para aquela figura com surpresa. Era uma mulher com um grande decote e grandes cochas. Era loira e tinha unhas pintadas de rosa. Não parecia ser funcionária... Provavelmente era uma visitante estrangeira.
-Quem é você? – Nessa perguntou.
-What? What are you saying? (O que? O que você está dizendo?)
“Ah, ela não fala português” Nessa percebeu.
-I’m Nessa! Who are you? (Eu sou Nessa! Quem é você?)
-What are happening here? Where is Ed? (O que está acontecendo aqui? Cadê o Ed?)
O semblante de nessa enegreceu, e ela falou com uma voz fria e raivosa:
-Who... Are... You? And WHAT DO YOU WANT WITH ED? (Quem… É… Você? E O QUE VOCÊ QUER COM O ED?)
-Sorry, it was rude from my part. Call me Mary. (Desculpe, isso foi rude de minha parte. Me chame de Mary)
Só os fortes entenderão
Ed e Night andavam devagar pelo parque em busca de Nessa. Eles estavam silenciosos e atentos. De repente, Night avista dois vultos conversando.
-Olha, é a nessa! E quem é aquela?
No momento que Ed vê Mary, ele agarra a roupa de Night e sai correndo, desesperado. Eles passam por diversos brinquedos e correm por cerca de cinco minutos até pararem no pé da montanha russa. Ed cai no chão, ofegante.
-Quem era aquela? – Pergunta Night, também arquejando.
-Não queira saber...
Ed olhou para o céu. A montanha russa se estendida e parecia alcançar as nuvens vermelhas. Ela estava mais alta do que parecia antes... E mais acabada. E havia algo, além de tudo, no ponto mais alto do brinquedo. Era um corpo deitado e amarrado nos trilhos. O carrinho começou a andar.
-NIGHT! Olhe aquilo! É a Thalita!
Night olha e avista o pequeno corpo da garota desacordada. Ele olha para Ed e seus olhares estão em chamas.
-Pode deixar que eu salvo ela, Night. Você sabe que não ignoro o chamado de garotas. – Disse Ed.
-Nada disso, Bro. Ela não te chamou. Eu não vou deixar você ficar com ela só pra você – Night responde.
E os dois começam a correr e tentar escalar a montanha russa antes que o carro atinja a inocente moça.
Na entrada do parque, um vulto apoiava as costas contra uma das gárgulas que impediam a saída dos funcionários. Era muito parecido com o vulto fumarento, porém este não expelia fumaça, e sim uma luz dourada e brilhante. O vulto fumarento de repente surgiu do seu lado.
-Como vão os planos, meu caro Marulon? – Disse o vulto dourado.
-Tudo como o planejado, Shaka-sama. A primeira morte deve acontecer logo, logo...
Ruukasu e Heeiro se aproximam da casa de eletricidade do parque. As luzes estão apagadas, porém miados melancólicos puderam ser ouvidos quando os dois colocaram os ouvidos na porta.
-Ruuka, você entra e eu espero aqui fora :3 – Disse Heeiro num tom calmo. Suas pernas, porém, tremiam.
-Seria melhor se entrarmos juntos... – Ruukasu engole seco. – Tem certeza que o Carl está aí?
-Yay! Ele nunca sai daí ^.^
-Então, no três...
Um... Dois... Três... Ruukasu arrombou a porta.
Havia seis seres demoníacos e sedentos em cima de um corpo. Os seres eram mulheres belíssimas, com orelhas e caudas de gato, porém nos seus olhos havia o mesmo brilho vermelho que iluminava o parque. Elas se viraram assim que a porta explodiu com o chute do faxineiro.
-Kawaii ^.^ - Heeiro disse.
Porém, as nekomi demoníacas logo se levantaram, com suas garras e presas ensopadas de sangue. Ruukasu pegou um pau dos destroços da porta arrombada, e virou-se para Heeiro:
-Vamos ter que luta... HEI! AONDE VOCÊ ESTÁ INDO?
Heeiro já tinha corrido para longe. Ruukasu se preparou para a luta. Tiger Carl estava deitado, com um semblante de prazer, sem camisa e todo arranhado pelas Nekomi’s. “Eu te disse que essa sua tara faria mal a você...” Ruukasu pensa. E parte para o ataque.
De primeira, acerta uma paulada na cabeça de uma das Nekomi, que cai morta. Mas nesse mesmo instante, três avançam contra seu corpo. Ruukasu se debate tentado retirar aqueles pesos infinitos. Porém, elas não soltam. Em um impulso, Ruukasu se joga contra a parede e estoca o peito de uma delas com o pau. O sangue jorra em seu rosto. Suas costas são arranhadas e as unhas perfuram-lhe a carne. Estava tudo perdido. As Nekomi’s eram muitas, e muito fortes.
Porém, nesse mesmo instante, um pedaço gigante de um brinquedo do parque caí na casa e destrói todo o aparelho de eletricidade e esmaga três Nekomi’s. Ruukasu olha para a broca no teto e vê o maquinista Heeiro em cima do brinquedo, acenando. Porém, sem que percebesse, a Nekomi pulou em cima dele e o imobilizou. Ruukasu se debatia, mas era inútil. Ela estendeu o seu dedo com sua unha molhada de sangue e tocou o peito de Ruukasu. Um filete vermelho escorreu-lhe do cropo. Num movimento brusco, a Nekomi levantou a mão e preparou-se para o golpe final.
Porém, Taiga pegou um cabo solto e enfiou-lhe nas costas da mulher gato. Ela e Ruukasu sofreram um choque intenso e desmaiaram.
Nessa corria sem descanso. Olhou para trás, porém já não conseguiu ver Ed. Ele devia estar morto. Ela continuou olhando, e uma lagrima começou a descer pela sua face.
-Ed... Finalmente me livrei de você...
Porém, Nessa se chocou contra alguém. Ambas as meninas caíram no chão. Nessa se levantou rapidamente.
-OLHE POR ONDE ANDA!
-Sorry! (Desculpe)
Nessa olhou para aquela figura com surpresa. Era uma mulher com um grande decote e grandes cochas. Era loira e tinha unhas pintadas de rosa. Não parecia ser funcionária... Provavelmente era uma visitante estrangeira.
-Quem é você? – Nessa perguntou.
-What? What are you saying? (O que? O que você está dizendo?)
“Ah, ela não fala português” Nessa percebeu.
-I’m Nessa! Who are you? (Eu sou Nessa! Quem é você?)
-What are happening here? Where is Ed? (O que está acontecendo aqui? Cadê o Ed?)
O semblante de nessa enegreceu, e ela falou com uma voz fria e raivosa:
-Who... Are... You? And WHAT DO YOU WANT WITH ED? (Quem… É… Você? E O QUE VOCÊ QUER COM O ED?)
-Sorry, it was rude from my part. Call me Mary. (Desculpe, isso foi rude de minha parte. Me chame de Mary)
Só os fortes entenderão
Ed e Night andavam devagar pelo parque em busca de Nessa. Eles estavam silenciosos e atentos. De repente, Night avista dois vultos conversando.
-Olha, é a nessa! E quem é aquela?
No momento que Ed vê Mary, ele agarra a roupa de Night e sai correndo, desesperado. Eles passam por diversos brinquedos e correm por cerca de cinco minutos até pararem no pé da montanha russa. Ed cai no chão, ofegante.
-Quem era aquela? – Pergunta Night, também arquejando.
-Não queira saber...
Ed olhou para o céu. A montanha russa se estendida e parecia alcançar as nuvens vermelhas. Ela estava mais alta do que parecia antes... E mais acabada. E havia algo, além de tudo, no ponto mais alto do brinquedo. Era um corpo deitado e amarrado nos trilhos. O carrinho começou a andar.
-NIGHT! Olhe aquilo! É a Thalita!
Night olha e avista o pequeno corpo da garota desacordada. Ele olha para Ed e seus olhares estão em chamas.
-Pode deixar que eu salvo ela, Night. Você sabe que não ignoro o chamado de garotas. – Disse Ed.
-Nada disso, Bro. Ela não te chamou. Eu não vou deixar você ficar com ela só pra você – Night responde.
E os dois começam a correr e tentar escalar a montanha russa antes que o carro atinja a inocente moça.
Na entrada do parque, um vulto apoiava as costas contra uma das gárgulas que impediam a saída dos funcionários. Era muito parecido com o vulto fumarento, porém este não expelia fumaça, e sim uma luz dourada e brilhante. O vulto fumarento de repente surgiu do seu lado.
-Como vão os planos, meu caro Marulon? – Disse o vulto dourado.
-Tudo como o planejado, Shaka-sama. A primeira morte deve acontecer logo, logo...
Editado por Takeshi.Ruukasu, 08 fevereiro 2012 - 13:24.

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